A partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, o novo valor do salário mínimo de R$ 1.621,00 passa a vigorar em todo o território nacional. O montante representa um aumento de R$ 109 em relação ao valor anterior (R$ 1.512) e reflete a política de valorização real retomada pelo governo federal.
O reajuste de aproximadamente 6,9% impacta não apenas os trabalhadores da iniciativa privada, mas também a rede de proteção social do país, servindo como base para o pagamento de aposentadorias, pensões e auxílios do INSS.
Como o novo valor foi calculado?
O cálculo do salário mínimo para 2026 seguiu a fórmula que combina a reposição da inflação com o crescimento da economia. Os dois pilares da conta foram:
- Inflação (INPC): A variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor nos 12 meses encerrados em novembro de 2025.
- Crescimento do PIB: O índice de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) consolidado de dois anos antes (2024).
Essa metodologia garante que o trabalhador não apenas recupere o poder de compra perdido para a inflação, mas também participe do crescimento da riqueza produzida pelo país, o que é caracterizado como “ganho real”.
O que muda nos benefícios e taxas?
O novo piso nacional altera diversos pagamentos vinculados ao governo:
- Aposentadorias e Pensões (INSS): Nenhum benefício previdenciário pode ser inferior ao mínimo. O teto do INSS também deve sofrer reajuste proporcional.
- BPC/Loas: O benefício pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade sobe para R$ 1.621.
- PIS/Pasep: O abono salarial terá o valor máximo de um salário mínimo para quem trabalhou os 12 meses do ano-base.
- Seguro-Desemprego: O valor mínimo da parcela passa a ser o novo piso.
- MEI: A contribuição mensal do Microempreendedor Individual, calculada sobre o mínimo, também será reajustada.
Impacto nas Contas Públicas
De acordo com dados do Ministério do Planejamento e Orçamento, a cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, a despesa pública cresce aproximadamente R$ 400 milhões anuais, devido ao peso dos benefícios previdenciários e assistenciais. Para 2026, o impacto total estimado no Orçamento da União fica entre R$ 41 bilhões e R$ 45 bilhões.
Análise sob a Ótica da Sustentabilidade Integral
A política de valorização do salário mínimo é um exercício complexo de equilíbrio entre três eixos fundamentais da sustentabilidade. No campo da Sustentabilidade Social, o aumento real é uma ferramenta indispensável para a redução da pobreza e da insegurança alimentar, garantindo que a base da pirâmide social tenha acesso a direitos fundamentais. Sob o prisma da Sustentabilidade Ética, o salário mínimo deve refletir a dignidade do trabalho humano, não sendo apenas um custo de produção, mas um meio de subsistência plena.
Já na esfera da Sustentabilidade Econômica, o desafio é garantir que o aumento do poder de compra estimule o consumo interno e aqueça a economia sem comprometer a viabilidade fiscal do Estado ou gerar pressões inflacionárias descontroladas. Um desenvolvimento verdadeiramente sustentável pressupõe que o crescimento da riqueza nacional (PIB) seja distribuído de forma equânime, fortalecendo o mercado consumidor e garantindo que o sistema de previdência social se mantenha resiliente para as futuras gerações. Portanto, o valor de R$ 1.621 não é apenas um número contábil, mas um compromisso com a manutenção do equilíbrio entre o bem-estar social e a responsabilidade econômica.


